"A ave sai do ovo. O ovo é o mundo.
Quem quiser nascer tem que destruir um mundo" — destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão de existir: ser é ousar ser."
"MEDO?Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo,
Tem medo porque jamais se atreveu a perseguir seus próprios impulsos interiores..."
"Nem os caminhos nem os rodeios importam se no fim
surgir a luz, a verdadeira necessidade da Alma adormecida
e enganada durante tanto tempo..."
in DEMIAN
Herman Hesse
Madrugada. 2h12.
Envolta em nostalgia, me deparo a alguns trechos de Demian.
Inevitável. Sempre que leio trechos desse tão sublime livro, algo de muito bom me invade e me preenche.
Energia que queima, que percorre as veias, que faz o pulmão se encher de ar.
Um respiro.
Há tempos emprestei o tal livro da antiga biblioteca municipal da minha cidade, mas lembro-me como se fosse hoje.
Lembro-me de "conversas" interessantes que tive com um cachorro de rua nesse dia... E de ele abocanhar meu celular e sair desfilando como o novo rei do pedaço. Lembro do meu desespero.
Fosse hoje não sei se iria atrás do cão.
Percebo que hoje sinto de maneira diferente os trechos de Hesse, não porque houve mudança de sentido ou porque entendo de maneira diferente as mesmas palavras, mas sim porque a mudança ocorreu, e ainda ocorre, em mim.
Os anos se passam. Experiências se acumulam. Besides, sou deveras observadora. Capto detalhes de pessoas que me rodeiam sobre os quais elas geralmente não me contam.
Dessa forma o mundo se transforma, me transformo...
E apesar disso continuo lendo e me emocionando com os mesmos trechos de literatura.
Um salve a Herman Hesse!
Esse cara sabe o que diz.
Um dia eu chego lá.
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