O menino carregava dois balões. Um verde e um vermelho.
Um dos balões repentinamente escapa e sai voando estação afora.
Eu, de longe, carregando malas, observei o garoto sair correndo atrás do vermelho.
A mãe gritava: "Não corra, não adianta, ele vai estourar na escada rolante!"
O menino sem dar ouvidos continua a correr. O balão está quase chegando na escada, como previsto.
O menino percebe que o esforço será em vão. E desiste.
Uma moça passa a correr no lugar da criança.
Ela vai na direção do balão. Ela consegue chutar o balão pra longe da escada rolante!
Mas ao encostá-lo, ele estoura...
Era uma vez um balão vermelho as 3 horas da tarde de uma segunda-feira.
A moça ficou sem graça. A criança abriu um sorriso.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Três lágrimas e um acaso.
*
O que é a lágrima? Por que ela ocorre? Que transformações deverá sofrer a alma do sujeito que chora, para que ela escorra?
*
Observo uma despedida de dentro do meu ônibus. Sou a terceira pessoa, o narrador observador com um quê de onisciente( de certa forma, buscando ser).
Duas moças jovens com a mesma cor de cabelo tingido. Uma delas com traços de mãe que se vai, outra de filha, que fica. O tom da cor vermelha me agrada e atrai. Passo a observá-las.
É quando me deparo com uma terceira figura, um terceiro integrante familiar, um coadjuvante em meio aos protagonistas fios vermelhos, que suponho ser o marido, ou o pai, ou os dois. Ele abraça a menor delas e a beija na testa. Olha para o lado, disfarçando a emoção.
Algo em mim enquanto narrador onisciente sabe exatamente o que ele sente, e isso me une ao sentimento alheio, me junta, me compadece numa vontade tão altruísta que passo a me comover, a me envolver.
A lágrima cai.
*
Observo o coadjuvante e a maneira como sua atuação sobressalente me impacta. Conto as lágrimas. Uma. Duas. Ele enxuga as lágrimas com os dedos, busca fôlego. Busco também.
Saio a procura de outra cena a observar. Sinto-me intrusa de tão singelo momento familiar.A família não se deu conta de meu olhar invasivo.Da lágrima compartilhada.Da minha lágrima de identificação.
Não gosto de despedidas, desde que me conheço por gente.Mas aí fica a questão: o que seria do feliz instante de reencontro se não houvesse a despedida? A despedida que se materializa água nos olhos de nossos entes queridos? De nossos amigos de sangue e de vida? De nossos amores apaixonados?
A lágrima de adeus teve (e deve ter) seu momento epifânico as duas da tarde de uma segunda-feira!
Coisa que me deixa curiosa é imaginar como será o reencontro...Será parecido com situações que vivenciei? Será que quando se reencontrarem as duas moças ainda terão o mesmo tom vermelho nos cabelos? O que terá mudado no íntimo de cada um dos personagens quando se reencontrarem? Serão essas personagens planas ou esféricas? Lágrimas escorrerão? Abraços compensarão o tempo e a distância?
*
Minha viagem continua... Estou a cada segundo mais distante de minha própria despedida e da casa paterna. De minha Pasárgada. Bandeira talvez me compreendesse. Clarice talvez trouxesse ovos e uma goma de mascar para celebrarmos a tensão da vida cotidiana...
Que sorte a minha ter um bloquinho verde de anotações em mãos.Devemos sempre estar preparados seja para as surpresas do cotidiano, seja para as despedidas. (...)
ps. a moça de cabelos vermelhos continua me perseguindo. Pega o mesmo metrô que eu. Faz a mesma baldeação. Sobe a mesma escada rolante. Desce no mesmo terminal. Some...
Procuro o vermelho, não a vejo. Ela deve morar do outro lado da cidade. Ela deve ter uma vida totalmente diferente da minha...Meu ponto de descida se aproxima. Estou perto de casa, já avisto o supermercado. Puxo a cordinha do ônibus. Guardo o livro que estava lendo. Me levanto.
SUSTO.
Adivinha quem estava sentada no banco da frente, também escondida atrás de um livro? Adivinha quem vai descer no mesmo ponto que eu?
(...)
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Demian
"A ave sai do ovo. O ovo é o mundo.
Quem quiser nascer tem que destruir um mundo" — destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão de existir: ser é ousar ser."
"MEDO?Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo,
Tem medo porque jamais se atreveu a perseguir seus próprios impulsos interiores..."
"Nem os caminhos nem os rodeios importam se no fim
surgir a luz, a verdadeira necessidade da Alma adormecida
e enganada durante tanto tempo..."
in DEMIAN
Herman Hesse
Madrugada. 2h12.
Envolta em nostalgia, me deparo a alguns trechos de Demian.
Inevitável. Sempre que leio trechos desse tão sublime livro, algo de muito bom me invade e me preenche.
Energia que queima, que percorre as veias, que faz o pulmão se encher de ar.
Um respiro.
Há tempos emprestei o tal livro da antiga biblioteca municipal da minha cidade, mas lembro-me como se fosse hoje.
Lembro-me de "conversas" interessantes que tive com um cachorro de rua nesse dia... E de ele abocanhar meu celular e sair desfilando como o novo rei do pedaço. Lembro do meu desespero.
Fosse hoje não sei se iria atrás do cão.
Percebo que hoje sinto de maneira diferente os trechos de Hesse, não porque houve mudança de sentido ou porque entendo de maneira diferente as mesmas palavras, mas sim porque a mudança ocorreu, e ainda ocorre, em mim.
Os anos se passam. Experiências se acumulam. Besides, sou deveras observadora. Capto detalhes de pessoas que me rodeiam sobre os quais elas geralmente não me contam.
Dessa forma o mundo se transforma, me transformo...
E apesar disso continuo lendo e me emocionando com os mesmos trechos de literatura.
Um salve a Herman Hesse!
Esse cara sabe o que diz.
Um dia eu chego lá.
Quem quiser nascer tem que destruir um mundo" — destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão de existir: ser é ousar ser."
"MEDO?Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo,
Tem medo porque jamais se atreveu a perseguir seus próprios impulsos interiores..."
"Nem os caminhos nem os rodeios importam se no fim
surgir a luz, a verdadeira necessidade da Alma adormecida
e enganada durante tanto tempo..."
in DEMIAN
Herman Hesse
Madrugada. 2h12.
Envolta em nostalgia, me deparo a alguns trechos de Demian.
Inevitável. Sempre que leio trechos desse tão sublime livro, algo de muito bom me invade e me preenche.
Energia que queima, que percorre as veias, que faz o pulmão se encher de ar.
Um respiro.
Há tempos emprestei o tal livro da antiga biblioteca municipal da minha cidade, mas lembro-me como se fosse hoje.
Lembro-me de "conversas" interessantes que tive com um cachorro de rua nesse dia... E de ele abocanhar meu celular e sair desfilando como o novo rei do pedaço. Lembro do meu desespero.
Fosse hoje não sei se iria atrás do cão.
Percebo que hoje sinto de maneira diferente os trechos de Hesse, não porque houve mudança de sentido ou porque entendo de maneira diferente as mesmas palavras, mas sim porque a mudança ocorreu, e ainda ocorre, em mim.
Os anos se passam. Experiências se acumulam. Besides, sou deveras observadora. Capto detalhes de pessoas que me rodeiam sobre os quais elas geralmente não me contam.
Dessa forma o mundo se transforma, me transformo...
E apesar disso continuo lendo e me emocionando com os mesmos trechos de literatura.
Um salve a Herman Hesse!
Esse cara sabe o que diz.
Um dia eu chego lá.
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